Diferenças entre edições de "Touradas à Vara Larga"

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*Capucha, Luís e Marco Gomes (2016). "Tauromaquia, Cultura com Sabor de Festa". In LMEC - CRIA (Ed.), ''Congresso Ibero Americano Património, suas Matérias e Imatérias'', Lisboa.
 
*Capucha, Luís e Marco Gomes (2016). "Tauromaquia, Cultura com Sabor de Festa". In LMEC - CRIA (Ed.), ''Congresso Ibero Americano Património, suas Matérias e Imatérias'', Lisboa.
 
 
 
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'''EM AGOSTO CAPEIAS A GOSTO'''
 
 
==== Norberto Manso ====
 
 
===== Adjunto do Gabinete de Apoio à Presidência da Câmara Municipal do Sabugal =====
 
 
 
Fustigado pela intensa emigração dos anos 60, o concelho do Sabugal privou-se de muitos dos seus mais intrépidos homens e mulheres que, na busca do ''Eldorado'', partiram para ''franças e araganças''. Mas foi, sobretudo, na zona do concelho mais fronteiriça com Espanha, que a sangria mais se sentiu.
 
 
Partiram, e por lá desbravaram, entre atalhos e veredas, caminhos até portos de esperança por aqui perdida. E no mês de Agosto regressam. Regressam com uma mão cheia de sucesso e outra mão cheia das memórias, dos laços, dos afectos e dos vínculos que dão sentido à vida e à vinda.
 
 
Por entre o enovelado das memórias, a FESTA destaca-se pela envolvência da comunidade, espaço de construção do sentido de pertença e de identificação com o colectivo. E por isso se regressa, se vem à terra, à terra onde estão as raízes, as origens e um espaço de memória colectivo.
 
 
A festa de cada uma das localidades é o ponto de encontro, a marca de um calendário religioso/profano, ou ambos, que convoca todos a estar.
 
 
De entre as muitas e diversificadas festividades do concelho, a Capeia destaca-se pela sua singularidade e originalidade – utilização do forcão na lide do touro bravo –, e pelo facto de ser uma manifestação comum a muitas localidades. A Capeia é, assim, a expressão de cultura popular aglutinadora de uma identidade territorial mais abrangente que o espaço da comunidade do ''sítio''.
 
 
Conforme já aludi noutras ocasiões, «A Capeia é identitária e dá aos membros da comunidade um forte sentido de pertença, criando fortes laços e vínculos à comunidade. A valorização desse património tende a preservar as referências ‘à terra’ – às raízes – e dessa forma estimular, nos que tendo laços com as comunidades, mas nelas não residem, o regresso, pelo menos por ocasião da Capeia. As expressões de cultura tradicional com as quais as pessoas ‘simpatizam’ e se identificam serão tanto mais motivo de vinda / regresso quanto maior for a ‘simpatia’ e a identificação com essas mesmas expressões. E, para uns é a Capeia, para outros é outra coisa qualquer, igualmente importante.
 
 
A Capeia é, assim, aglutinadora no regresso, motivação reforçada pela grande probabilidade de reencontros, o que é gratificante por ser tão forte a memória dos afectos e dos laços que perduram. A Capeia é, desta forma, um pretexto de confraternização, de convívio, de partilha, de desejo de estar junto de outros que diferentes percursos de vida separaram.
 
 
O êxodo, a emigração, a ''desruralização'', não implicam que os que se afastaram se desliguem das suas origens. A busca das raízes, a ''centripetía'' das tradições, das festas, motiva ao retorno enquanto o universo das memórias for povoado pelas reminiscências dos “bons velhos tempos”. Retorno que acaba por se constituir em espaço de reconstrução de memória (o que recordamos do que aconteceu não é o ''que aconteceu'', mas a reconstrução, no presente, do que vivenciámos ou experimentámos), onde se lubrificam as lembranças dos afectos e dos vínculos com novos afectos, novas partilhas, novas experiências.»
 
 
Todos os anos, no mês de Agosto, o ritual repete-se em Aldeia da Ponte, Aldeia do Bispo, Aldeia Velha, Alfaiates, Fóios, Forcalhos, Lageosa, Nave, Ozendo, Quadrazais, Rebolosa, Soito e Vale de Espinho.
 
 
Dada a inquestionável importância desta tradição, decidiu-se em 2009 avançar com o processo de inventariação de que resultou, em Novembro de 2011, o registo no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (http://www.matrizpci.dgpc.pt/MatrizPCI.Web/Inventario/InventarioPCIListar.aspx?TipoPesq=2&NumPag=1&RegPag=50&Modo=1&Criterio=capeia&Inpci=True ); o primeiro realizado em Portugal. E foi a Câmara Municipal que avançou com a inventariação, não porque ela seja dona ou se queira apoderar da capeia, mas porque foi a melhor forma de a valorizar, promover e preservar, evitando bairrismos entre as diferentes aldeias; e porque é a Câmara quem melhor pode representar e aglutinar uma expressão cultural de diversidades locais em diferentes geografias, dando-lhe uma dimensão de “Terras do Forcão”.
 
 
A capeia é das comunidades e o seu futuro depende das comunidades. Foram elas que ao longo dos anos a promoveram, a valorizaram, a preservaram e a interpretaram à luz do desenvolvimento que, sobretudo depois dos anos 60, tão significativamente mudou o concelho.
 
 
Com a inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI) a Capeia galgou as fronteiras do seu espaço de prática para se afirmar no mapa patrimonial do país. Ganhou a visibilidade e a dignidade que o Inventário lhe confere, mas, sobretudo, promoveu a participação das comunidades, grupos e indivíduos na defesa e valorização do seu património cultural imaterial, objectivo da inventariação.
 
 
O reconhecimento que o registo no INPCI conferiu à Capeia promoveu o envolvimento das comunidades na defesa e valorização do seu património cultural imaterial, garantindo, assim, a preservação dos laços e dos vínculos que criam um forte sentido identitário e de pertença à comunidade, tão necessários num mundo cada vez mais urbano, anónimo e anódino.
 
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Revisão das 18h28min de 1 de julho de 2020

Em muitas outras localidades do Ribatejo e do Alentejo os festejos resumem-se à parte correspondente à largada, que nalguns locais, como no distrito de Portalegre, se designa “tourada à vara larga”. Em recintos vedados com tranqueiras e outros meios, são soltos, um a um, toiros embolados ou vacas que acometem contra as pessoas que arriscam pisar o interior do recinto, para logo escapar a resguardar-se perante a aproximação no animal. Apenas os jovens mais preparados ensaiam recortes e esboçam passes de toureio, perante o aplauso da multidão dos que assistem, habitantes das localidades em que a festa se realiza e muitos visitantes.


Bibliografia

  • Capucha, Luís e Marco Gomes (2016). "Tauromaquia, Cultura com Sabor de Festa". In LMEC - CRIA (Ed.), Congresso Ibero Americano Património, suas Matérias e Imatérias, Lisboa.