Diferenças entre edições de "Manuel dos Santos (11.02.1925-18.02.1973)"
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Por opção retirou-se relativamente cedo das arenas, em 1953 antes dos trinta anos de idade. | Por opção retirou-se relativamente cedo das arenas, em 1953 antes dos trinta anos de idade. | ||
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De facto, Manuel dos Santos nunca abandonou a festa brava. Voltaria a tourear algumas vezes até 1972. Distinguiu-se como empresário da Praça de Toiros do Campo Pequeno | De facto, Manuel dos Santos nunca abandonou a festa brava. Voltaria a tourear algumas vezes até 1972. Distinguiu-se como empresário da Praça de Toiros do Campo Pequeno | ||
Revisão das 00h55min de 20 de agosto de 2020
Manuel dos Santos nasceu em Lisboa em 1925 e faleceu na mesma cidade em 1973. Foi um dos mais destacados matadores de touros portugueses. Originário de uma família da Golegã com fortes tradições tauromáquicas - avô e dois tios bandarilheiros-, cedo manifestou vontade de se afirmar nas arenas.
Manuel dos Santos apresentou-se em público pela primeira vez na Praça de Toiros da Chamusca, em 1941. Por essa ocasião despertou a atenção do mestre Patrício Cecílio que desafiou o jovem a vir desenvolver as suas competências na sua casa, na Golegã. Rapidamente Manuel dos Santos se tornou o mais destacado aprendiz da Escola de Toureio da Golegã.
Tendo a aspiração de se tornar matador de toiros, Manuel dos Santos começou por tomar a alternativa de bandarilheiro, a qual lhe foi concedida por Alfredo dos Santos, que lhe cedeu a lide de um toiro da ganadaria de Alcácer do Sal, de Joaquim Mendes Núncio. Foi no Campo Pequeno, a 26 de julho de 1944.
Rumou a Espanha em 1946 tendo-se fixado em Sevilha. Logo no ano seguinte debutava como novilheiro na Praça de Toiros de Badajoz na tarde de 26 de junho. Obteve um estrondoso desempenho, três orelhas e um rabo e saiu em ombros. Daqui em diante dá-se a sua verdadeira ascensão.
Curiosa é a história da sua alternativa a qual estava inicialmente prevista para dia 14 de dezembro de 1947 na Praça "El Toreo", na Cidade do México. Teria como padrinho Fermín Espinosa "Armillita" e Carlos Arruza como testemunha. Uma violenta colhida atingiu-lhe a veia femoral o que foi suficiente para Manuel dos Santos renunciar à alternativa.
Esta ser-lhe-ia concedida no ano seguinte, a 15 de agosto, na Real Maestranza de Sevilha, tendo como padrinho Manuel Jiménez Moreno "Chicuelo" e como testemunha Manuel Álvarez Pruaño "El Andaluz". Alternou frente ao “Verdón”, da ganadaria Marquês de Villamarta.
Confirmaria a alternativa em Las Ventas, a 9 de junho de 1949, com Pepín Martín Vázquez como padrinho e Agustín Parra Dueñas "Parrita" como testemunha. Lidou o “Rosuelo”, de Arturo Sánchez Cobaleda.
Manuel dos Santos ombreou com as maiores figuras da sua época, foi dos mais solicitados matadores de toiros e percorreu as mais conceituadas arenas do mundo. Juntamente com Diamantino Viseu formou a dupla mais conceituada de sempre no toureio apeado em Portugal.
Manuel dos Santos fica para a história da tauromaquia portuguesa também pelo facto de ter sido o primeiro toureiro a matar um toiro em praça. Vigorando a proibição de se matar toiros em público, Manuel dos Santos terminou a lide estoqueando o “Ribatejano”, da ganadaria Assunção Coimbra na noite de 3 de junho de 1951, no Campo Pequeno. Recebeu as duas orelhas e o rabo, dando em seguida quatro voltas à arena aos ombros de aficionados em autêntico delírio. Acabada a lide foi chamado à enfermaria onde, na presença do ganadero e do director de corrida, foi presente às autoridades que lhe deram ordem de detenção, não podendo sequer continuar a corrida. Passou a noite na prisão, de onde saiu mediante o pagamento de uma caução tendo acabado absolvido no julgamento que se seguiu.
Do seu admirável percurso consta a célebre corrida de toiros realizada no Estádio Gelora Bung Karno, em Jacarta, Indonésia à qual assistiram 88 mil pessoas.
Por opção retirou-se relativamente cedo das arenas, em 1953 antes dos trinta anos de idade.
Em 1954 casou, no México, com Gloria Elena Díez, de quem teve um filho, Manuel Jorge Díez dos Santos. Entre 1955 tornou-se empresário tauromáquico, gerindo a praça de Algés, actividade que desempenhou até 1959.
De facto, Manuel dos Santos nunca abandonou a festa brava. Voltaria a tourear algumas vezes até 1972. Distinguiu-se como empresário da Praça de Toiros do Campo Pequeno
Em Espanha foi distinguido como cavaleiro da Ordem de Isabel, a Católica e em Portugal seria agraciado com o grau de comendador da Ordem de Benemerência e, a título póstumo, com a Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas. A 17 de fevereiro de 1973, regressando de uma visita à sua ganadaria, sofreu um acidente de viação em Vendas Novas. Viria a falecer um dia depois no Hospital Particular de Lisboa.
REGISTOS FOTOGRÁFICOS
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REGISTOS GRÁFICOS
FONTES ESCRITAS
Manuel dos Santos estoqueia o toiro "ribatejano"em Lisboa. (Taurodromo 21.08.2012)
Manuel dos Santos, figura emblemática da tauromaquia portuguesa do sec. XX. (Taurodromo 17.10.2013)
Vida do matador de touros Manuel dos Santos publicada em livro. (O Mirante 22.13.2015)
REGISTOS BIBLIOGRÁFICOS
- Santos, Manuel Jorge Díez dos (2015), "Manuel dos Santos - O Homem e o Toureiro (1925-1973)", Chamusca: Edições Castelão.
REGISTOS VIDEOGRÁFICOS
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/um-dia-com-patricio-cecilio-e-manuel-dos-santos/
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/condecoracao-de-manuel-dos-santos/
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/passeio-taurino-5/
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/passeio-taurino/
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/1oaniversario-da-morte-de-manuel-dos-santos-parte-i/
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/1oaniversario-da-morte-de-manuel-dos-santos-parte-ii/
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/homenagem-a-manuel-dos-santos/
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/tenta-em-alcochete/
https://www.youtube.com/watch?v=bxaMj06K1V8
https://www.youtube.com/watch?v=PJP2Ml570mU
https://www.youtube.com/watch?v=21NGcr9N0Ts
https://www.youtube.com/watch?v=snzV1uN3rXc
https://www.youtube.com/watch?v=Hoy0qhwI0jc
https://www.youtube.com/watch?v=h7Cn7ajIqis
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